Provavelmente você leu a primeira parte dessa história com Celso Unzelte, que está aqui.
Hoje, dia da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo da África do Sul, vamos falar do segundo fanático-alucinado Paulo Vinícius Coelho. Ou, simplesmente, PVC.
PVC é considerado um dos únicos jornalistas que entendem de tática e podem discutir de igual para igual com os treinadores. E quem afirma isso são os técnicos, não os leigos.
Mas sua história com a paixão pelo futebol e a precisão jornalística começaram cedo. E no continente africano.
Pouco antes da Copa de 1994, nos EUA, PVC e o fotógrafo Nelson Coelho foram à África mapear o futuro do futebol mundial. A teoria na época era que lá estava a esperança de ver um bom futebol jogado novamente.
Eles voltaram com um grande material, que rendeu uma matéria belíssima (quem tem o livro, poderá ler na íntegra).
E a prova da importância dessa viagem veio na elaboração do Guia da Copa de 1994 de Placar.
- Delirei quando fizemos o Guia da Copa de 94. Porque é o melhor Guia de Copa que a Placar fez -, diz, eufórico, PVC.
Mas por que essa alegria toda? É melhor você ler as palavras de PVC, que parecem a descriação do seu perfil, com a emoção crescendo até o desfecho:
- Fiz a maior parte daquele Guia porque eu era o cara mais tarado por futebol internacional na Placar naquela época. Levantei a ficha de todo mundo. Chegamos a conclusão de que fecharíamos no dia em que fossem soltas as listas de todos os jogadores. Se tivesse uma mudança, dava tempo de trocar e resolvia o problema rapidinho. Mas para isso era preciso ter o maior índice possível de acerto. No dia que saiu as listas, erramos um sul-coreano e trocamos. Este Guia da Copa de 1994 foi, de todos esses guias que tem ficha técnica, a mais precisa. Agora, ninguém mais espera as convocações. O índice é de 60% dos jogadores que estão na Copa e 40% que não estão. O Guia da Copa de 94 tinha todo mundo, exceto o Erickson, da Suécia, e o Ricardo Gomes, do Brasil, porque eles foram inscritos e depois cortados. Então, faltam dois jogadores: o Lucit, da Suécia, e o Ronaldão. Mas eu delirei mesmo foi quando apareceu o Rigobert Song, de Camarões. ’Caralho!, fui eu que descobri esse cara’. Aí eu fui lá na coleção da Placar e peguei a reportagem. Estava lá a entrevista do Song, com 17 anos. Eu entrevistei ele em 93, um ano antes. Ele falando de como a geração dele ia ser mais vitoriosa do que a geração do Roger Milla.
Precisa mais? PVC transpira alegria por futebol. E faz questão de deixar isso claro. Porque disse com propriedade que um cronista de esporte não pode ser menos apaixonado que o torcedor.
É por isso que é imperdível o blog dele na ESPN Brasil e as colunas na Folha de S. Paulo.


