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Sinopse

fevereiro 23, 2010

“A história de Placar é redigida com a bravura do bom jornalismo, que não se curva ao opressor para mostrar o traseiro para o oprimido.” A frase, de Millôr Fernandes, define a trajetória da revista que há 40 anos influencia o jornalismo esportivo no País. Na década de 1970, época de efervescência no esporte brasileiro com a seleção brasileira desembarcando no México para a conquista do tricampeonato mundial, começa o primeiro tempo da revista Placar. A capa da primeira edição – que chegou às bancas em 20 de março de 1970 – estampava a foto de Pelé, jogador intrinsicamente ligado aos momentos importantes da publicação esportiva da Editora Abril. Conhecida, até então, como distribuidora oficial das histórias em quadrinho da Disney no Brasil, a editora recriou o amuleto da sorte do pato mais rico do mundo e cunhou uma moeda com a efígie de Pelé para a divulgação do lançamento da revista – ideia de Victor Civita, que escolheu pessoalmente o fornecedor e o escultor. Revestida com o rosto do Rei, a moeda era o brinde aos “sortudos” compradores da Placar. O início da publicação e as histórias que permeiam todas as fases de Placar – dividida pelos autores em primeiro e segundo tempo, conforme a periodicidade da publicação – são contados pelos jornalistas Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn, no livro “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos da Placar”, da Primavera Editorial.

A redação dos sonhos – composta ao longo da história de Placar por Carlos Maranhão, José Maria de Aquino, Michel Laurence, Juca Kfouri, João Rath, Celso Kinjô, Sérgio Martins, Marcelo Rezende, Lemyr Martins, Ari Borges, Alfredo Ogawa, Leão Serva, Thomaz Souto Corrêa, Kátia Perin, Paulo Nogueira, Sérgio Xavier, Paulo Vinícius Coelho (PVC) e André Risek, entre outros – produziu matérias antológicas, que estão reproduzidas em “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos da Placar”.

Um dos exemplos é a ampla cobertura da Máfia da Loteria, esmiuçada por Chiarioni e Kroehn no capítulo “O jogo que deu errado”, com depoimentos dos jornalistas e reproduções de matérias veiculadas na época. (…) “A loteria esportiva fazia parte do imaginário de enriquecimento fácil do povo brasileiro na década de 1970. Entretanto, deu zebra. E o responsável por tal resultado foi uma reportagem da Placar.” Um outro exemplo é a reportagem de Kátia Perin, que conquistou o Prêmio Esso de Informação Esportiva, pautada por Marcelo Duarte, sobre o primeiro time do Rei, o Bauru Atlético Clube (BAC), em 1955. (…) “O Pelé encerrou. Ele ficou maravilhado, queria ver a foto de todo mundo, queria o telefone das pessoas, perguntava como eles estavam; e no fim, acabou sendo uma entrevista de bate-papo. Ele ficou muito emocionado – relembra Kátia.”

Momentos difíceis do esporte também permeiam a história de Placar, como os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, quando terroristas invadiram a Vila dos Atletas e deixaram um rastro de sangue. Na matéria, o desabafo de Michel Laurence. (…) “Eu deveria estar aqui em Munique para escrever sobre medalhas, honrar heróis, consolar os vencidos. Mas são mortos que eu conto. Mortos a tiros, a faca, a fogo. É sobre essa estatística que eu tenho que trabalhar…
Em Placar Todos os Esportes, uma nova fase da publicação. (…) “Na época, Carlos Maranhão embarcou para os Estados Unidos e, apesar de o futebol brasileiro ter conquistado a segunda colocação nos Jogos Olímpicos, a melhor posição desde então, ele enfatiza que foram os outros esportes que mais pautaram a cobertura em solo americano. A natação com Ricardo Prado, recordista mundial; o atletismo, com a medalha de ouro de Joaquim Cruz; e o vôlei, com a equipe que ficou conhecida como Geração de Prata, como mostra a matéria O sonho acaba em Prata, publicada em Placar Todos os Esportes, de 17 de agosto de 1984…

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Primavera Editorial

fevereiro 23, 2010

A Primavera Editorial, uma “butique de livros”, estimula no cidadão brasileiro o hábito da leitura com conteúdos prazerosos, inteligentes e instrutivos. Investir em novos autores nacionais e estrangeiros – especialmente os estreantes e com obras que não foram publicadas no Brasil – tem sido uma das estratégias adotadas pela Primavera Editorial. Com diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira e policiais, entre outras, as obras da Primavera Editorial são associadas à inovação e ao pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica.

No portfólio da editora estão títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil), Há muito o que contar…aqui (Alison Louise Kennedy, Escócia), Mohamed, o latoeiro (Gilberto Abrão, Brasil), O véu (Luis Eduardo Matta, Brasil) e A neta da maharani (Maha Akhtar, Estados Unidos).

Pelo selo BIZ – criado para a publicação de livros que fomentam uma cultura corporativa positiva –, a Primavera Editorial lançou o Manual de gentilezas do executivo  (Steve Harrison, Estados Unidos) e As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida (Steve Zaffron e Dave Logan, Estados Unidos).

Com o selo EDU, uma alusão à palavra inglesa education, associada à educação continuada, a Primavera Editorial criou uma divisão que representa o investimento da editora no segmento de não-ficção. O anel que tu me deste – O casamento no divã (Lidia Rosenberg Aratangy, Brasil); Livro dos avós – Na casa dos avós é sempre domingo? (Lidia Rosenberg Aratangy e Leonardo Posternak, Brasil); e Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice (Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, Brasil) são os primeiros lançamentos do selo.

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Trechos do livro

fevereiro 23, 2010

(…) “A revista foi bolada pelo Hamilton Almeida Filho e Paulo Patarra, para não cometer injustiças. É engraçado isso, porque o Maurício Azêdo e o Aristélio Andrade foram os caras que levaram a ideia, mas não foram os caras que pimpa, pegaram a coisa.” Michel Laurence.

(…) “Eu sempre me interessei em contar histórias do futebol, fazer reportagens sobre o futebol, tentar contar os bastidores, aquilo que acontecia na cabeça dos jogadores, coisas paralelas do futebol. Antes de qualquer definição, eu sou um jornalista.” Carlos Maranhão.

(…) “O ritual das terças-feiras era igual para outros garotos. Acordar e comprar Placar. Comecei a minha vida de Placar como leitor, em 1973. Acordava às terças-feiras e ia para a banca. Era a primeira coisa que eu fazia naquele meu dia. Alguns dias, ela atrasava ou o jornaleiro não chegava com ela. Geralmente, a revista chegava por volta das 8h30. E eu ficava esperando. Em outros, o preço da revista aumentava, aí eu tinha que ir para casa pegar mais dinheiro. Eu era leitor fiel, toda semana comprava. Independente do meu time, o Corinthians, ir bem ou não. Lia a revista na própria terça-feira…” Marcelo Duarte, autor da série Guia dos Curiosos e ex-diretor de redação da Placar.

(…) “Placar e eu começamos praticamente juntos nossa vida no esporte. A revista em 1970; eu no ano seguinte, quando vesti a camisa profissional do Flamengo pela primeira vez. Nesse período, aconteceu uma das reportagens mais marcantes, onde toda a minha família foi reunida para a foto. Esta é a única vez em que todos aparecem juntos com a camisa rubro-negra.” Zico, prefácio do livro “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos da Placar”.

(…) “O garoto de 24 anos, barbudinho e comunista, chegava para liderar uma equipe que contava com repórteres experientes. Na edição de 15 de março de 1974, cuja capa trazia a fórmula da força dos exercícios físicos da seleção brasileira – com os preparadores Carlos Alberto Parreira e Raul Carlesso contando sobre os aprendizados internacionais – o expediente trazia como chefe de reportagem José Carlos Kfouri, no lugar de Hedyl Valle Júnior, que passou à função de chefe de redação… Entre os repórteres orientados por Juca, em São Paulo, Michel Laurence, José Maria de Aquino e Carlos Maranhão. No Rio de Janeiro, José Trajano e Raul Quadros; em Porto Alegre, Divino Fonseca.” Trecho do livro.

(…) “Intitulada de Deus é alegria, Deus é Corintians (sem o h), a matéria ganhou página dupla e destacou, na época, um outro lado do recém-empossado Cardeal de São Paulo (Dom Paulo Evaristo Arns). Relatou a história de um homem que, na solidão do Palácio Episcopal, sofria em frente à tevê pelas derrotas e conquista de seu time do coração: o Corinthians, um clube que, aliás, aprendeu a torcer por causa de seu grande amor ao povo da cidade. Tudo o que puder fazer pelo Corinthians, eu faço!, reforçara o Cardeal a Maranhão na apresentação de seu texto, nas páginas 9 e 10 daquela edição.” Trecho do livro

(…) “De fato, o automobilismo só tinha a ganhar com a chegada de Placar Todos os Esportes. Se a missão era ir além e abordar os outros esportes, o deleite era óbvio. Os repórteres estavam no caminho certo. O passo para uma revista plural em todas as modalidades e o fim da monocultura futebolística pareciam sem volta. Mas, a paixão pela revista, marca maior de todas as entrevistas feitas pelos repórteres, ficou evidenciada na mudança promovida na Placar, em 1984.” Trecho do livro