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A Copa que mudou Placar

maio 25, 2010

capa adeus pentaA capa ao lado não tem a intenção de ser uma previsão catastrófica para a Copa do Mundo de 2010.

Mas é inegável que ela foi marcante.

A ideia aqui é lembrar de uma Copa que mudou a vida de Placar. A derrota na final do torneio de 1998 para a França foi o encerramento de uma experiência bem-sucedida da revista. Como?

Foi há mais de uma década que o então diretor de redação Marcelo Duarte deu o ponta-pé inicial para o que Placar passou a fazer nos mundiais seguintes. Ele valorizou a marca, ponto mais importante e, até aquele momento, pouco prestigiada.

Marcelo Duarte mostrou que a revista tinha importância impar na vida jornalística do País. Como os profissionais das emissoras de televisão, vestiu os jornalistas com um blazer de Placar. Parecia um pequeno capricho, mas dizia tudo sobre o peso da revista. “Se a Globo pode, por que a Placar, que é a revista mais importante do Brasil, não pode”, questionou Duarte. Ele estava, de fato, um passo a frente.

Foi naquela Copa que, pela primeira vez, Placar levara toda a sua estrutura para um outro país. Marcelo Duarte montou toda a redação de Placar, com profissionais de texto, arte e foto em Paris. A revista era escrita, editada e paginada eletronicamente no Velho Continente. O material era enviado para a revista ser impressa, prontinha, no Brasil. Mais do que a primeira experiência de Placar, pelo que sabemos foi a estreia internacional da produção de uma revista da Editora Abril.

A volta ao Brasil marcou a saída de Marcelo Duarte de Placar, embora sua estratégia tenha ficado. Em 2006, por exemplo, a revista montou a Casa Placar, espaço de convivência para brasileiros de passagem pela Alemanha. Neste ano, a experiência será repetida na África do Sul.

A capa de Dunga ficou na história. Só torcemos para que ela não se repita neste ano.

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Apaixonado entendedor 2

maio 11, 2010

DivulgaçãoProvavelmente você leu a primeira parte dessa história com Celso Unzelte, que está aqui.

Hoje, dia da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo da África do Sul, vamos falar do segundo fanático-alucinado Paulo Vinícius Coelho. Ou, simplesmente, PVC.

PVC é considerado um dos únicos jornalistas que entendem de tática e podem discutir de igual para igual com os treinadores. E quem afirma isso são os técnicos, não os leigos.

Mas sua história com a paixão pelo futebol e a precisão jornalística começaram cedo. E no continente africano.

Pouco antes da Copa de 1994, nos EUA, PVC e o fotógrafo Nelson Coelho foram à África mapear o futuro do futebol mundial. A teoria na época era que lá estava a esperança de ver um bom futebol jogado novamente.

Eles voltaram com um grande material, que rendeu uma matéria belíssima (quem tem o livro, poderá ler na íntegra).

E a prova da importância dessa viagem veio na elaboração do Guia da Copa de 1994 de Placar.

– Delirei quando fizemos o Guia da Copa de 94. Porque é o melhor Guia de Copa que a Placar fez -, diz, eufórico, PVC.

Mas por que essa alegria toda? É melhor você ler as palavras de PVC, que parecem a descriação do seu perfil, com a emoção crescendo até o desfecho:

– Fiz a maior parte daquele Guia porque eu era o cara mais tarado por futebol internacional na Placar naquela época. Levantei a ficha de todo mundo. Chegamos a conclusão de que fecharíamos no dia em que fossem soltas as listas de todos os jogadores. Se tivesse uma mudança, dava tempo de trocar e resolvia o problema rapidinho. Mas para isso era preciso ter o maior índice possível de acerto. No dia que saiu as listas, erramos um sul-coreano e trocamos. Este Guia da Copa de 1994 foi, de todos esses guias que tem ficha técnica, a mais precisa. Agora, ninguém mais espera as convocações. O índice é de 60% dos jogadores que estão na Copa e 40% que não estão. O Guia da Copa de 94 tinha todo mundo, exceto o Erickson, da Suécia, e o Ricardo Gomes, do Brasil, porque eles foram inscritos e depois cortados. Então, faltam dois jogadores: o Lucit, da Suécia, e o Ronaldão. Mas eu delirei mesmo  foi quando apareceu o Rigobert Song, de Camarões. ‘Caralho!, fui eu que descobri esse cara’. Aí eu fui lá na coleção da Placar e peguei a reportagem. Estava lá a entrevista do Song, com 17 anos. Eu entrevistei ele em 93, um ano antes. Ele falando de como a geração dele ia ser mais vitoriosa do que a geração do Roger Milla.

Precisa mais? PVC transpira alegria por futebol. E faz questão de deixar isso claro. Porque disse com propriedade que um cronista de esporte não pode ser menos apaixonado que o torcedor.

É por isso que é imperdível o blog dele na ESPN Brasil e as colunas na Folha de S. Paulo.

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Garoto da capa

maio 3, 2010
Divulgação Primavera Editorial

Bruno Chiarioni, Doug e Márcio Kroehn no Museu do Futebol

Todo primeiro comentário que ouvimos sobre o livro é a capa.

– Que beleza!

– Bom gosto!

– É diferente e linda!

São três pequenos exemplos do que ouvimos. E não deixa de ser o resumo da imagem da Bola de Prata, o maior prêmio do futebol brasileiro, com a parede forrada de edições de Placar ao fundo – a promessa é que a próxima fornada do livro estará com esse fundo mais vivo, ou seja, mais claro e em destaque.

Mas todos esses elogios devem ser endereçados ao artista que assinou todo o projeto gráfico: Douglas Kawazu. Ou, simplesmente, Doug.

Doug foi o primeiro a apostar que essa nossa ideia de contar sobre a vida de Placar valia a pena.

Lá em 2004, quando nosso bolso era furado e tínhamos que entregar o trabalho de conclusão do curso de jornalismo (a semente desse livro), fomos até ele pedir socorro.

Fizemos uma proposta arriscada. Se um dia esse projeto ganhasse corpo, ele estaria conosco.

Doug não apenas comprou a ideia, como fez uma produção interessantíssima para o que precisávamos naquele momento. Era quase uma edição de bolso, com uma capa sóbria e perfeita.

O tempo foi passando e ele não ficou no nosso pé, perguntando quando sairia, se sairia e por que não saía. Simplesmente deixou o tempo amadurecer naturalmente o trabalho.

Enquanto isso, Doug vivia entre as redações de Placar, Runner’s, Quatro Rodas e Playboy. No ano passado, foi cuidar do seu negócio, a interactive experience, ou simplesmente ixp, a única empresa a desenvolver aplicativos para iPhone por aqui.

Se é que fizemos uma exigência à Primavera Editorial, foi que não éramos dois. Éramos três. O Doug era parte fundamental dessa história.

E não erramos nenhum pouquinho. Ele engrandeceu nossas palavras com todas as imagens, que não atrapalham, só ajudam a leitura a ficar mais prazerosa.

Além, é claro, de ter feito o leitor de Placar descobrir que a Bola de Prata reproduz fielmente uma bola de futebol, com as costuras no gomo, que ficavam escondidas nas fotos com pouca luz.

O garoto da capa é o Doug.