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De molho

março 29, 2010

Ontem me senti como o Celso Kinjô.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1982, ele sofreu um acidente e precisou imobilizar as pernas.

Juca Kfouri, que estava na Espanha, se programou para voltar imediatamente ao Brasil.

Mas Kinjô mandou o recado decisivo, com o seguinte sentido: “estou bem! Não escrevo com as pernas e posso cuidar de Placar”.

Juca ficou na Europa, Kinjô tocou a revista no Brasil e Placar fez uma das mais apaixonantes coberturas de uma Copa do Mundo em revista.

Domingo de manhã, correndo a primeira etapa da corrida de rua Track&Field, em São Paulo, pisei em um buraco e torci o pé.

Abandonei os 10K ainda no começo, fui para o hospital e ganhei uma botinha de gesso com a recomendação: pé pra cima durante uma semana para o inchaço diminuir. Depois, outra avaliação será feita para avaliar o tamanho da encrenca.

Como o Kinjô, vou continuar tocando a rotina. Mas ontem, com a frustração e a dor, o blog ficou em branco.

Ou seria melhor dizer que ficou de luto?

Hoje, de fato, ele está.

Um dos mais importantes jornalistas brasileiros foi recebido por Garrincha e Canhoteiro hoje cedo na porta dos céus.

Devem tê-lo levado para um lugar com uma máquina de escrever a vista privilegiada para o campo dos sonhos.

Armando Nogueira, aos 83 anos, não resistiu à sua brava luta contra um câncer de cérebro havia pouco mais de três anos. Mestre Armando Nogueira é dono de uma poesia suprema e sublime.

Não é fácil falar pouco de quem é referência na profissão e no futebol.

Ao assistir ao Jornal Nacional de hoje, uma das criações de Armando Nogueira, reverencie quem lutou muito pela dignidade da informação no Brasil.

Falo por mim e pelo Bruno, porque estamos tristes. 

Márcio Kroehn

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